Fauzi, guerreiro da justiça

FAUZI ABDALA JOÃO
Por Edgar Ferraz, Presidente da CBK.

Na vida de todos nós, há pessoas cuja passagem fica indelevelmente marcada. É o caso de Fauzi Abdala João, embora nunca consigamos agradecer e homenagear o suficiente o que ele foi e fez.

Fundador da Federação Bahiana de Karate, um dos fundadores da Confederação Brasileira de Karate, Presidente da Diretoria Fundadora da CBK, foi Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Pugilismo e ajudou na fundação de diversas federações de karate do nordeste e do sul do Brasil. Foi ele quem fez os regulamentos, normas e estatutos que até hoje servem de modelo no karate do Brasil.

8º Dan honorário, não praticava karate, não vestia kimono, porém poucos entenderam o significado da filosofia do karate, do “dojokun” e do “bushidô” como ele.

Dono de uma sabedoria ímpar, sempre defendeu suas convicções pela manutenção da ordem e da justiça. A sua orientação era para as pessoas encontrarem o caminho para realização dos seus ideais e sonhos. Para isto, ele criou uma frase que ilustra bem o seu pensamento. Ele dizia: “desde que seja para ajudar e não prejudique ninguém deve ser feito”.

Eu tive o privilégio de conviver com Fauzi por muitos anos, ele como Presidente da Federação Bahiana ou Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Karate.

Aprendi com ele que ser dirigente é ser o principal servidor.

Discutíamos idéias sobre o karate brasileiro e quando eu ligava para ele na Bahia, sempre ouvia do outro lado da linha otimismo, bondade e vontade de ajudar.

Fauzi, foi um homem de honra, faleceu defendendo as suas convicções e a Confederação que ele ajudou fundar. Morreu como um guerreiro, no campo de batalha, como convém aos fortes.

Morreu instantaneamente, sem sofrimento. Uma pessoa como ele não merecia nem poderia morrer num leito de Hospital ou numa UTI, sem esperança.

O legado que deixou será sempre lembrado. Os povos antigos costumavam homenagear seus guerreiros e heróis contando as suas histórias. Assim aconteceu com os heróis Gregos na Ilíada de Homero.

Embora ele não esteja mais fisicamente entre nós, no Brasil, onde houver um praticante de karate, Fauzi deverá ser lembrado como a pessoa que sempre lutou pelo que é direito e a sua última lição, fundamentada nos ideais de respeito, dignidade e honra, deixada nos momentos finais de sua vida foi “que devemos lutar por nossas convicções e direitos até a morte”.

O karate brasileiro perdeu um dos seus melhores colaboradores e nós perdemos um grande amigo. A sua morte não foi em vão. A história do karate brasileiro há de confirmar isto.

Descanse em paz, guerreiro das normas e da justiça.