Na vida de todos nós, há
pessoas cuja passagem fica indelevelmente marcada.
É o caso de Fauzi Abdala João, embora nunca
consigamos agradecer e homenagear o suficiente o
que ele foi e fez.
Fundador da Federação Bahiana de
Karate, um dos fundadores da Confederação
Brasileira de Karate, Presidente da Diretoria
Fundadora da CBK, foi Vice-Presidente da
Confederação Brasileira de Pugilismo e ajudou na
fundação de diversas federações de karate do
nordeste e do sul do Brasil. Foi ele quem fez
os regulamentos, normas e estatutos que até hoje
servem de modelo no karate do Brasil.
8º Dan honorário, não praticava
karate, não vestia kimono, porém poucos entenderam
o significado da filosofia do karate, do “dojokun”
e do “bushidô” como ele.
Dono de uma sabedoria ímpar, sempre
defendeu suas convicções pela manutenção da ordem
e da justiça. A sua orientação era para as pessoas
encontrarem o caminho para realização dos seus
ideais e sonhos. Para isto, ele criou uma frase
que ilustra bem o seu pensamento. Ele dizia:
“desde que seja para ajudar e não prejudique
ninguém deve ser feito”.
Eu tive o privilégio de conviver com
Fauzi por muitos anos, ele como Presidente da
Federação Bahiana ou Vice-Presidente da
Confederação Brasileira de Karate.
Aprendi com ele que ser dirigente é
ser o principal servidor.
Discutíamos idéias sobre o karate
brasileiro e quando eu ligava para ele na Bahia,
sempre ouvia do outro lado da linha otimismo,
bondade e vontade de ajudar.
Fauzi, foi um homem de honra,
faleceu defendendo as suas convicções e a
Confederação que ele ajudou fundar. Morreu como um
guerreiro, no campo de batalha, como convém aos
fortes.
Morreu instantaneamente, sem
sofrimento. Uma pessoa como ele não merecia nem
poderia morrer num leito de Hospital ou numa UTI,
sem esperança.
O legado que deixou será sempre
lembrado. Os povos antigos costumavam homenagear
seus guerreiros e heróis contando as suas
histórias. Assim aconteceu com os heróis Gregos na
Ilíada de Homero.
Embora ele não esteja mais
fisicamente entre nós, no Brasil, onde houver um
praticante de karate, Fauzi deverá ser lembrado
como a pessoa que sempre lutou pelo que é direito
e a sua última lição, fundamentada nos ideais de
respeito, dignidade e honra, deixada nos
momentos
finais de sua vida foi “que
devemos lutar por nossas convicções e direitos até
a morte”.
O karate brasileiro perdeu um dos
seus melhores colaboradores e nós perdemos um
grande amigo. A sua morte não foi em vão. A
história do karate brasileiro há de confirmar
isto.
Descanse em paz, guerreiro
das normas e da
justiça.